O sobrevivencialismo tem suas origens na era da Guerra Fria nos Estados Unidos. Desde então toda uma cultura foi criada em torno da aptidão para colapsos extremos e repentinos causados por guerras, catástrofes ecológicas ou a interrupção do suprimento de energia e alimentos.
A comprovação histórica de que frequentemente durante as situações de colapso as maiores violências são praticadas por pessoas e instituições que já se beneficiavam do poder, faz com que os sobrevivencialistas tenham uma verve mais libertária ou anarco-capitalista. Essa mesma verve torna difícil para as pessoas à esquerda do espectro político ideológico enxergar as contribuições a atitudes positivas do sobrevivencialismo.
Por outro lado, a importação do conceito do sobrevivencialismo para o Brasil, sem uma tradução e contextualização histórica e cultural, impede muitos sobrevivencialistas de enxergar a força da organização e protagonismo coletivos que vários grupos brasileiros tem nos momentos de crise e colapso durante a nossa História.
Se a frase “não existe solução individual para problemas sistêmicos” carrega alguma verdade, a observação precisa de Wendell Berry, o cronista agrário e anticapitalista americano, nos mostra a importância da coerência: “a pessoa precisa começar na própria vida as soluções privadas que só em tempo podem ser tornar soluções públicas”. (Wendell Berry em The Unsettling of America. 1977. p.26)