De forma geral, as famílias mais abastadas pagam caro para que seus filhos possam integrar habilidades manuais em suas educações, mas fazem de tudo para que sigam carreiras especializadas. Como adultos, essas pessoas são infelizes porque embora tenham aprendido essas habilidades, raramente se viabilizam por meio delas.
As famílias do campo mandam seus filhos para escolas públicas que tem ensinado as gerações mais jovens a ser funcionários em empresas nas cidades. Quando adultos, essas pessoas também são infelizes porque cresceram livres, junto a natureza e os sistemas que apoiam a Vida e porque sua sabedoria e habilidades são desdenhadas pela cultura urbana.
Entretanto, com o custo de vida cada vez mais caro, com o projeto da elite financeira de controle absoluto sobre as pessoas comuns se materializando rapidamente e a mídia corporativa banalizando guerras e invasões, precisamos nos perguntar se podemos confiar nas instituições para nos mantermos com saúde e dignidade enquanto a crise instala.
Nesse cenário, as habilidades práticas da vida rural deixam de ser vistas de forma pejorativa e voltam a ganhar prestígio entre as pessoas que prezam a autonomia e autorresponsabilidade frente ao caos que se instala.
Abraços,
Eurico Vianna