O desmonte dos sistemas alimentares e porque não devemos confiar nos governos para enfrentar essa crise.

O Secretário Geral da ONU, António Guterres, alertou sobre uma catástrofe alimentar mundial durante declaração em Nova Iorque entitulada “A invasão da Federação Russa na Ucrânia traz novas matanças, sofrimento, insegurança alimentar global e instabilidade“, nesta quarta-feira, dia 08 de junho de 2022.

Segundo ele, “o preço dos alimentos está perto de altas recorde. O preço dos fertilizantes já subiu mais que o dobro, soando alarmes por todo lado”.

Nesse contexto Guterres segue explicando que:

Sem fertilizantes a escassez se espalhará desde o milho e o trigo até todos os cultivos da base alimentar, incluindo o arroz com impacto devastador para bilhões de pessoas na Ásia e América Latina também. A crise desse ano é sobre falta de acesso. A crise do que vem pode ser sobre falta de comida. Infelizmente, dezenas de países talvez sofram uma escassez real de alimentos. Milhares de pessoas podem passar fome se o bloqueio Russo no Mar Negro continuar.

Guterres também alertou que o Programa Alimentar Mundial estima que as consequências deste conflito podem levar 47 milhões de pessoas a uma situação de insegurança alimentar, especialmente mulheres e crianças.

Essas estimativas devem ser bem conservadoras porque na mesma quarta-feira um levantamento realizado pelo instituto Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), afirmou que 33 milhões de brasileiros passam fome e que ainda, que 58,7% da população vivem com insegurança alimentar.

Ter países imperialistas normalizando a miséria nos países dos quais usurpam recursos naturais e achando absurdo quando a insegurança alimentar bate à sua porta faz parte da hipocrisia capitalista.

A lástima maior é que nós mesmos tenhamos normalizado a miséria e a subserviência ao ponto de aceitarmos pacatamente termos 33 MILHÕES DE PESSOAS PASSANDO FOME em nosso país.

Voltando à hipocrisia da ONU. É sintomático do nosso tempo ter a ONU cumprindo a agenda do totalitarismo capitalista e culpando a Rússia pela fragilidade que a centralização corporativa traz aos sistemas alimentares. Como tudo no mundo neoliberal essa crise alimentar será encarada como mais uma oportunidade de lucro para uns poucos. Cumprindo a agenda de propaganda do ocidente, a ONU culpa a Rússia e isenta os países da OTAN de qualquer responsabilidade sobre a crise. Como se o tabuleiro geopolítico fosse tão simples e dualista assim.

Bases Militares da OTAN ao redor da Rússia. Fonte: Base Nation

É claro que o conflito na Ucrânia impacta os sistemas alimentares! Juntos, Ucrânia e Rússia produzem ⅓ do trigo do mundo. Mas um dos problemas dessa vez é que os EUA, via OTAN, querem impor um embargo a um país que tem autonomia energética e um certo grau de autonomia na produção primária.

A Rússia abastece grande parte do mercado mundial de fertilizantes químicos com seu suprimento de nitrogênio e especialmente de fósforo, que é um dos maiores fornecedores do mundo. Praticamente sozinha, a Rússia também aquece a maioria dos países ocidentais da Europa com seu gás natural.

Muitos ativistas, acadêmicos e produtores tem alertado para um desmonte deliberado dos sistemas alimentares como estratégia das elites políticas e econômicas para enfraquecer a população e implementar sistemas que centralizam ainda mais renda e poder na mão dessa mesma elite.

Esse padrão de soluções que centralizam poder e renda enquanto tornam a população mais vulnerável está diretamente ligado com o declínio energético. São estratégias que visam assegurar paras as mesmas elites uma vida de poder e luxo enquanto tiram da população qualquer chance de autonomia e autodeterminação.

Quando culpa a Rússia pela crise alimentar atual, o enquadramento da mídia corporativa sobre a crise também mostra que sua pauta é alienar e esconder, não informar e revelar. Grande parte dos conflitos que vivemos hoje, sejam eles travados nos campos de batalha, nos parlamentos ou no âmbito das informações, está ligado ao declínio energético. A guerra, uma resposta da Rússia ao expansionismo americano via OTAN, é um SINTOMA do declínio energético e do vício e dependência da economia ortodoxa, corporações e governos à matriz fóssil.

Entretanto, não vemos discussões e propostas sérias levando em consideração a agricultura familiar agroecológica como parte do conjunto de soluções. Por que? Porque ela descentraliza o poder, o acesso aos alimentos e ao território.

Henry Kissinger, que junto com a CIA foi articulador da expansão do império estadunidense e orquestrou várias ditaduras nas Américas Central e Latina e países dos continentes asiático e africano para garantir o suprimento de recursos natural para o consumismo de seu país, disse uma vez que “Quem controla o suprimento de alimentos, controla as pessoas, quem controla o suprimento energético controla continentes; quem controla o dinheiro controla o mundo.”

“Não é uma questão do que é verdadeiro que importa, mas a questão do que é percebido como verdade”. Henry Kissinger.

Não coincidentemente, Kissinger é mentor de Klaus Schwab e co-idealizador do Fórum Econômico Mundial (FEM), uma ONG criada pelas corporações mais poderosas do planeta para promover a agenda neoliberal e o controle corporativo sobre os Estados.

É nesse sentido de centralizar recursos, renda e poder durante crises políticas, sanitárias e alimentares (reais, criadas ou percebidas) que o FEM tem promovido:

  • a extinção da moeda fiduciária em favor da Moeda Digital do Banco Central,
  • o monitoramento completo da população por meio de um sistema de identificação mundial digital, e
  • a centralização dos sistemas alimentares por meio da transgenia (controle das sementes), da concentração fundiária (controle do território), da agricultura de precisão (automação e controle da agricultura), da centralização das cadeias de distribuição e da geoengenharia (controle climático).
Título: Tio Sam quer que você tenha e crie galinhas
Legenda: Duas galinhas no quintal para cada pessoa da casa vai manter sua família com ovos.

Durante as maiores guerras e crises do século passado, enquanto a elite política e econômica ainda não havia aparelhado todos os estados e não tinha a capacidade de dominar a narrativa por meio das corporações midiáticas e tecnológicas como tem hoje, a resposta dos governos e atitude da população era completamente diferente.

As Hortas da Vitória são um exemplo excelente de uma época em que os governos ainda trabalhavam (pelo menos em parte) em prol da população e em que as pessoas não confiavam sua autonomia a ‘autoridades’ corruptas.

Durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundiais os governos dos EUA, Reino Unido, Canadá, Alemanha e Austrália orientaram suas populações a criar galinhas poedeiras, implementar hortas e pomares nos quintais e parques públicos e preservar o máximo de alimentos possível para o inverno. Aproximadamente 20 milhões de hortas haviam sido implementadas e já produziam 40% dos legumes, verduras e tubérculos consumidos nos EUA ao final da Segunda Guerra.

As hortas da vitória em Nova Iorque chegaram a produzir quase 91 mil toneladas de alimentos.

Ou seja, durante as crises mais graves a população e os governos buscaram descentralizar os sistemas alimentares e optaram por criar  mais autonomia e resiliência. Hoje as elites econômicas e políticas criam mais dependência para ter ainda mais controle e lucro, mesmo que isso possa literalmente matar milhares de pessoas de fome.

O Brasil, de novo, é exemplo dessas estratégias de controle por meio da escassez. Enquanto 33 milhões de pessoas passam fome e o agronegócio bate recordes de lucro, o governo Brasileiro discute com o Mercossul e União Europeia estratégias que visam afrouxar ainda mais as as leis contra os agrotóxicos.

Assim como outros países, o Brasil segue a receita neoliberal que socializa mazelas enquanto privatiza lucros. Mas em termos de resiliência dos sistemas alimentares temos vantagens enormes.

Muito embora não seja majoritariamente agroecológica, já é a agricultura familiar que produz mais alimentos no Brasil. Com apenas 24% da área produtiva total a agricultura familiar produz 74 % dos alimentos da cesta básica brasileira e esta produção agrega 40% do total da produção agrícola do país (dados do Censo Agropecuário de 2006, o último disponível).

Por isso, uma das mudanças mais importantes que precisamos implementar não depende de políticas públicas, mas de mudança de hábitos. Como são os sistemas que centralizam poder e renda deixam a população mais vulnerável em uma situação de crise e colapso, se um número significativo de pessoas passar a comprar seu alimento direto das famílias produtoras, a atitude da população garantirá o acesso ao alimento com soluções locais e em sistemas biorregionais distribuídos.

É óbvio que com 33 milhões de pessoas já passando fome, nós precisamos de medidas emergenciais. Para agir na raiz do problema, no entanto, precisamos de promover o êxodo urbano e uma reforma agrária bem planejada para que nossos sistemas alimentares estejam a serviço da economia local, saúde das pessoas e dos ecossistemas onde se viabiliza.

Infelizmente com um sistema político repleto de parlamentares subservientes às corporações, muito provavelmente nem as medidas emergenciais, nem as de base serão implementadas. Basta ver que mesmo durante os 13 anos de um governo supostamente progressista não tivemos reforma agrária, os subsídios e perdões de dívida para o agronegócio foram infinitamente maiores que os subsídios destinados aos programas agroecológicos.

Está claro para qualquer pessoa que consegue acompanhar a maneira como a democracia vem sendo raptada pelo capital financeiro concentrando cada vez mais renda, poder e território, que as soluções descentralizadoras que precisamos adotar não virão da macropolítica.

Osmany e Levi Segall colhendo verduras no SAF da CSA Fazenda Bella para entrega em Brasília.

As ‘autoridades’ e a mídia corporativa já mostraram pela maneira que trataram a crise sanitária nos últimos dois anos e pela maneira que vêm lidando com a crise alimentar, que a autonomia e resiliência da população não está em sua agenda. Muito pelo contrário, as pautas e notícias impostas deixam claro o objetivo de alienar e tornar ainda mais dependente um número cada vez maior de pessoas.

Isso nos deixa com a urgência de retomarmos nossa agência e nosso protagonismo coletivo para assegurar as cinco áreas essenciais do nosso viver em um colapso: a moradia digna, alimentação sem veneno, água limpa, saúde autônoma e a mobilidade.

Em relação à crise alimentar global que vivemos, precisamos passar a produzir pelo menos parte do nosso alimento, priorizando os espaços de produção para garantir primeiro as calorias, depois nutrição e por último o sabor. Nos ambientes urbanos, é fundamental construir imediatamente um relacionamento com produtores rurais. É fundamental buscarmos construir relacionamentos de interdependência nas feiras, clubes de compra e CSAs imediatamente.

Por fim, quando refletimos sobre nós mesmos, sobre a vida completamente dependente de sistemas energéticos, sanitários e alimentares completamente centralizados que aceitamos viver, precisamos assumir que a eficiência energética da participação na macropolítica e a outorga da nossa agência para outras pessoas é praticamente nula!

Quando tudo que fazemos para criar autonomia e resiliência é participar do teatro das eleições de 4 em 4 anos, precisamos assumir que normalizamos a miséria e a fome todos os outros dias que não votamos e não nos engajamos coletivamente com as soluções necessárias.

A Doutrina do Choque, a pandemia e a pergunta: “Agro pode ser regenerativo?”

Enquanto a fome atinge 19 milhões de brasileiros durante a pandemia, quase a metade das famílias têm algum grau de dificuldade para se alimentar e cerca de 27 milhões de pessoas sobrevivem em média com R$246 reais por mês o Brasil criou 238 bilionários durante a mesma pandemia. Juntos eles têm quase o PIB do Chile.

Não coincidentemente, a maioria desses negócios são bancos, fundos de investimentos e conglomerados de supermercados, ou seja, o tipo de negócio que tira a autonomia da população. E nós seguimos cegos sem uma revolta popular em massa diante desse absurdo. Com certeza e folga poderíamos usar estes recursos para amparar os que passam fome e dificuldade nesse momento tão sofrido da nossa história.

Comento hoje alguns links para documentários, reportagens e aulas que foram compartilhadas em minhas redes desde a semana passada.

O Brasil chega a 238 bilionários em 2020; fortuna total é quase o PIB do Chile – Matéria do caderno de economia do Portal UOL.

Para ajudar a entender como essa apatia diante de crimes tão graves contra a humanidade são possíveis, eu trago o trabalho da ativista e autora Naomi Klein, “A Doutrina do Choque”. O documentário foi compartilhado pela Márcia Silva (@simbioticabioaliemntos), ativista do movimento agroecológico no RS que participa do grupo de Agricultura Regenerativa do telegram.
Nota: Quem quiser participar é só pedir o link por mensagem direta, não disponibilizamos o link para evitar os ataques de robôs).

Naomi traça a genealogia do “Capitalismo de Desastre” desde os experimentos conduzidos pelo psiquiatra Ewen Cameron em parceria com CIA. Esses estudos mostravam como as pessoas ficavam mais suscetíveis a sugestões de comportamentos e confissões após receber eletrochoques e/ou passar por longos períodos de privação sensorial trancafiados sem poder ver o mundo externo, sem cores, sem sentir sabores, texturas e afagos.

Esse link foi compartilhado no grupo alertando para o fato de que a pandemia, embora real e desastrosamente assassina mediante a suposta incompetência de Bolsonaro, pode estar sendo usada como uma Doutrina de Choque para que a população aceite sem questionar as reformas legais, fiscais e privatistas da agenda neoliberal desse governo.

E eu digo suposta incompetência porque quando analisamos a Doutrina do Choque e como ela foi usada por Milton Friedman – o economista guru da escola de Chicago, onde Paulo Guedes se formou – fica claro que o neoliberalismo sempre usou o choque, a desgraça, para fazer com que a população aceitasse reformas que só privilegiam a elite.

Exatamente como estamos agora, em meio à pandemia, aceitamos inertes que 238 bilionários tenham a riqueza de um país inteiro, enquanto 19 milhões de brasileiros passam fome durante a pandemia e 27 milhões de pessoas sobrevivam em média com 246 reais por mês.

A desgraça brasileira atual está à serviço de uma elite sociopata, classista e subserviente a poderes corporativos estrangeiros.

Leiam o livro e assistam o filme. A maior hipocrisia esclarecida é que em nenhum lugar onde a Doutrina do Choque foi utilizada para implementar a economia neoliberal as condições de vida da população melhoraram. Via de regra, a elite mundial força a mão dos grandes impérios, usa de violência, desinformação e controle para concentrar renda, poder e território. É o livre comércio desta elita, nunca foi do bem estar comum.

Tanto o livro quanto o filme trazem vários exemplos dessa hipocrisia desumana indo desde o primeiro laboratório de Friedman, a América Latina, passando pela Inglaterra, Polônia, China, União Soviética e Ásia, até chegar na Guerra do Iraque.

E o agronegócio nesse contexto atual, como fica?

Enquanto a pandemia e as mais de 4 mil mortes diárias são usadas como Doutrina do Choque, o governo desmonta as instituições ambientais, favorecendo o agronegócio, a mineração e a construção civil, que nada tem a ver com produção de alimento, infraestrutura ou moradia. Estas são só fachadas para as maiores plataformas de escoamento de petroquímicos, concentração de renda e poder nas mãos de pouquíssimas corporações transnacionais.

O IBGE, claro! Está sendo desmontado também, porque sem dados e análises sérias sobre como está a população, fica mais fácil governar com a Doutrina do Choque, notícias falsas e propaganda – o Correio Brasiliense traz uma reportagem sobre este tema .

E aí vem a propaganda. Enquanto todas as instituições que poderiam frear os crimes ambientais do agronegócio e documentar sua concentração de renda e terras são desmontadas, as notícias de que o agronegócio pode ser regenerativo aparecem.

O Estado de São Paulo publicou uma reportagem intitulada “Agricultura Regenerativa”. Nela Roberto Rodrigues conta uma estória da Carochinha que os avanços nos últimos 35 anos foram em melhoramento genético (leia-se transgenia), adubação (leia-se escoamento de produtos petroquímicos e mineração) e mecanização (leia-se desemprego no campo e êxodo rural forçados), mas que agora “o mundo rural avalia ações ligadas à biologia”.

Roberto Rodrigues diz que a Agricultura Regenerativa pode ser vista como um agente de paz, mas não aborda em nenhum momento a definição do termo que existe para além da regeneração ambiental, a regeneração sociocultural – que demandaria uma reforma agrária e modos de produção que aplaquem a cultura e qualidade de vida das pessoas no campo – e a regeneração econômica que demanda que os recursos gerados circulem dentro da biorregião onde foram produzidos.

O Globo Rural deste domingo, dia 11/04, traz na reportagem sobre a “Agricultura Regenerativa” a produção de grãos de milho e soja orgânicos em milhares de hectares como um avanço. Em sua versão escrita um dos sócios da empreza informa um quadro com apenas 60 funcionários. A reportagem não explica nem contextualiza como vivem esses funcionários ou vácuo humano causado por sistemas de produção que podem ocupar milhares de hectares com um número tão pequeno de pessoas.

A reportagem também não revela que o que na verdade se desenrola é o mercado de commodities orgânicas. E, que como todo mercado de commodities, esse mercado “orgânico” tem muito mais a ver com concentração de terras, poder, renda e capital especulativo que com produção de alimentos saudáveis regenerando as dimensões socioculturais e econômicas das biorregiões onde esses grãos são produzidos.

A agrofloresta, que em área comparativa com os milhares de hectares dedicados a produção de grãos, é uma parte quase inexistente, é usada como garota propaganda. E por fim, um branco super privilegiado é apresentado como herói, escondendo assim o protagonismo de mulheres, de indígenas, de povos tradicionais, do MST e tantos outros que protagonizam o movimento realmente regenerativo que é a AGROECOLOGIA.

Uma das missões mais importantes que temos hoje é protagonizar a definição, a prática e o exemplo da Agricultura Regenerativa. A definição e as métricas e indicadores desse termo precisam ser amplamente difundidos por nós que protagonizamos a agroecologia, a empatia, a economia biorregional e o êxodo urbano pelo movimento de transição.

Para ser verdadeiramente regenerativo o agro precisa distribuir terras, renda, ter planos de carreira com salários dignos para seus funcionários. Precisa cuidar para que as pessoas que vivem no campo, que são plurais e vão muito além da lógica de produção, tenham tempo livre, qualidade de vida, segurança e soberania sobre seus territórios e alimentos. Precisa regenerar a economia em sua biorregião e não produzir para o mercado financeiro.

O dia que a produção do agro for regenerativa nesses sentidos, talvez ela seja verdadeiramente regenerativa.

Até lá, o que o agro faz ao usar esse termo é usurpar o protagonismo das pessoas do campo, dos movimentos sociais e ativistas. Da mesma maneira que já usurpou e distoreceu os termos “orgânico” e “sustentável”.

Aqui no site eu já escrevi sobre este tema no artigo O que é um produto orgânico? Podemos confiar no rótulo? e sobre Como funciona o controle de danos do Agronegócio explicando como esses conglomerados transnacionais usurpam e distorcem os termos.

Para fechar eu trago para vocês a aula Regeneração de Solos Degradados com Processos Biológicos, do agricultor e ativista Pedro Meza (Instagram @pedro.meza.33).

Um testemunho de como a soberania alimentar, a saúde e a possibilidade de expressarmos nossas vocações em sua plenitude está diretamente ligada ao acesso de um pedaço de chão onde o lar vai do solo à mesa onde comemos. É por isso que digo que só escaparemos essa extinção em massa em Santuários de Sanidade Mental e Ecológica.

Pedro é um artesão, um guardião e um druida do solo! Buscando soluções que trazem autonomia e eficiência para o produtor, Pedro experimenta com vários métodos de regeneração de solos degradados. Tinturas, microorganismos eficientes, chás de composto e outros inoculantes de vida vão para o solo e chegam para a mesa da família com muito carinho, com muita competência e um senso estético de um renascentista da regeneração planetária.

Viver como o Pedro vive, em contato direto com sua vocação, com cheiros, texturas, sabores, cores é um remédio para a privação de sentidos praticada pela doutrina do choque durante a pandemia.

Não temos um conjunto de soluções que não passe necessariamente por uma gestão ecológica, social e economicamente regenerativas, pela reforma agrária e o esvaziamento das cidades, pela agroecologia e pela soberania alimentar!

Se vocês têm se beneficiado pelo meu conteúdo e reflexões, eu peço que se inscrevam no canal do youtube, na lista de emails aqui no site, na plataforma de interação sobre planejamento rural e agricultura regenerativa e que compartilhem o conteúdo com suas recomendações.

Tenho também um link para o financiamento coletivo da produção deste conteúdo no Apoia.se . Nesse sentido, o apoio de vocês é super importante porque me ajuda a construir a base material que preciso para continuar produzindo conteúdo de pensamento crítico, ecológico e sistêmico para compartilhar.

Por fim, quem se interessar pela transição, pelo planejamento rural e por se conectar com uma rede de produtores e ativistas que estamos tecendo, meu próximo curso começa dia 27/04. Vem com a gente fazer parte das soluções! Clique aqui para fazer sua inscrição!